Como a realidade aumentada pode mudar a relação dos seus clientes com o mundo

Dezembro 06, 2017

augmented reality and commerce

Realidade aumentada: mesmo que você não saiba explicar o que esse fenômeno é, eu aposto que você já viveu essa experiência.

Sabe como eu sei disso? Porque, diferente da realidade virtual, a realidade aumentada (augmented realityem inglês, também conhecida por sua sigla RA), não precisa de um headset especial para nos levar até outra dimensão – na verdade, ela só precisa da câmera dos nossos smartphones. É assim que a realidade aumentada consegue transformar o nosso próprio mundo em uma tela em branco, pronta para ser recheada com objetos virtuais e interativos.

A realidade aumentada funciona de uma maneira bastante simples: ela se aproveita das imagens em tempo real fornecidas pela câmera do celular ou tablet para ancorar um objeto virtual em um ponto físico, presente no mundo em que vivemos. Dessa maneira, o objeto virtual consegue manter a mesma escala mesmo que o zoom da câmera seja ativado ou mesmo que ela seja movimentada.

No entanto, até agora o imenso potencial dessa nova tecnologia havia sido completamente descartado – simplesmente porque a qualidade das experiências de realidade aumentada ainda estava muito abaixo do esperado.

Mas você já deve ter percebido que isso ficou no passado.

Realidade aumentada: uma antiga novidade, repaginada

O termo “realidade aumentada” foi cunhado durante a década de 1990 – mas ainda não significava exatamente o processo que hoje conhecemos como tal. Na verdade, a aparelhagem para a RA era extremamente grande e pesada, tal como ilustrado pela imagem abaixo:

Virtual-Fixtures-USAF-ARFonte: Wikimedia Commons

De lá para cá, algumas empresas tentaram criar um headset mais leve e moderno (como o Google Glass, por exemplo) para que pudéssemos utilizar a realidade aumentada cotidianamente. O problema é que nenhuma dessas tecnologias levou em conta o fato de que esse é um acessório que deve ser usado pelas massas – e não por um ou outro cliente. Em outras palavras, a tecnologia e o próprio setor dessa indústria ainda não estavam prontos para a realidade aumentada.

No entanto, a coisa muda de figura quando falamos da RA móvel: os filtros especiais do Snapchat e o incrivelmente popular Pokémon Go, por exemplo, são dois grandes exemplos de interações entre usuários e a realidade aumentada.

Fonte: via GIPHY

Mas, mesmo nesses casos, a tecnologia não correspondia às nossas expectativas: os objetos muitas vezes não permaneciam em seus lugares se a câmera sofresse alguma alteração – e tantos outros eram exibidos em escalas desproporcionais, dependendo da distância entre a câmera e o objeto.

Em outras palavras: ainda era extremamente fácil distinguir entre o que era real e o que era puramente criação da realidade aumentada.

O cenário acima só mudou quando a Apple anunciou o lançamento do iOS 11 e do ARKit. Com essas novas ferramentas, os desenvolvedores de conteúdo conseguiriam criar experiências de RA mais realistas e envolventes – e objetos virtuais praticamente indistinguíveis da nossa realidade cotidiana.

Foi a partir daí que o verdadeiro potencial da realidade aumentada veio à tona – e ela deixou de ser um recurso exclusivo de jogos e aplicativos de imagens para se tornar um recurso repleto de possibilidades para marcas, empresas, lojistas e clientes.

Como dar vida aos nossos objetos mundanos

É bem possível que, em se tratando das experiências de realidade aumentada, a maior oportunidade comercial esteja justamente no fato de podemos avaliar produtos como se eles estivessem na nossa frente.

“Será que esse sofá cabe lá na sala?”

“Será que esse vaso combina com a mesa de jantar?”

Já imaginou que maravilha nunca mais precisar sofrer com essas dúvidas? Afinal, a realidade virtual é capaz de projetar uma versão visual daquele sofá bem na sua sala, para que você possa avaliar se vale a compra ou não – e pode fazer tudo isso apenas com o seu celular.

Para a Magnolia Market, uma loja de decoração norte-americana, a realidade aumentada foi realmente um fator decisivo para os negócios: por meio dela, os clientes podem fazer uma simulação virtual e avaliar se os produtos da loja cabem em – ou combinam com – as suas casas; e todo o processo ocorre no app da loja.

Stone Crandall, Diretor de Mídias Digitais da Magnolia, conta que

“Nós queremos que todos os mínimos detalhes dos nossos produtos transmitam a verdadeira essência da marca. Por mais que isso seja facilmente reproduzido para um cliente que visita a nossa loja física, o mesmo não acontece com aqueles que compram pela Internet. Para que pudéssemos transmitir todo o carinho e cuidado dos produtos da Magnolia virtualmente, nós adotamos a realidade aumentada.”

“Essa nova tecnologia permite que mesmo aqueles clientes do outro lado do mundo vejam todos os pequenos detalhes dos nossos produtos – e isso é simplesmente incrível. Com o novo app da Magnolia, os nossos clientes poderão viver toda a experiência de comprar na loja e avaliar de perto um produto – e tudo isso em um celular ou tablet.”

Stone ainda explica que a possibilidade de colocar virtualmente os produtos dentro da casa do cliente acaba gerando uma experiência de compra mais informada:

“A realidade aumentada ajuda a sanar dúvidas do tipo: ‘Será que esse quadro vai ficar bom lá na parede do quarto?’ ou ‘Como será que é a parte de trás desse sofá?’. É verdade que nada supera a experiência de comprar na loja física; no entanto, a RA é um excelente recurso para clientes que estão em outras cidades ou até em outros países e querem comprar um produto de qualidade.”


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A câmera do smartphone como um espelho aumentado

Comprar móveis e itens de decoração com o auxílio da realidade aumentada realmente é algo inovador; mas o fato é que esse novo recurso também pode ser usado por marcas e lojas que vendem produtos de beleza e itens de vestuário.

A ideia é simples: ativar a câmera frontal do celular e, com a realidade aumentaga, receber uma resposta para o terrível “Será que essa peça combina comigo?”

Como o rosto humano é, em geral, bastante similar (a posição dos olhos, do nariz e da boca), essa alternativa da realidade aumentada já foi amplamente explorada por plataformas como o Instagram, Facebook e Snapchat.

Mas é possível ir além do filtro com cara de cachorro – e é justamente isso que algumas empresas estão fazendo, em especial aquelas de cosméticos e óculos.

Foi por isso que, no início do ano, a Sephora atualizou o seu app para incluir um recurso de realidade aumentada que permite aplicar o produto virtualmente no rosto do cliente. O recurso deve aparecer na versão brasileira do aplicativo em breve!

Fonte: Sephora

Outra marca que já incorporou o recurso de realidade aumentada é a gigante Ray-Ban, com o Modelo Virtual:

A possibilidade de provar acessórios e cosméticos no conforto da sua casa pode revolucionar o modo como as pessoas compram; e, com o aprimoramento da realidade aumentada, essas experiências de compras podem ser ainda mais positivas e úteis.

Mundos virtuais que se sobrepõem ao nosso mundo real

Parece até coisa de filme distópico – mas a verdade é que podem existir diversos mundos virtuais bem na sua frente, convivendo com o caminho que você faz diariamente para ir ao trabalho.

Isso só acontece porque a realidade aumentada nos obriga a estar fisicamente em um espaço que corresponde a um ponto do mundo virtual que ela representa. É o que acontece quando estamos jogando Pokémon Go, por exemplo.

O curioso é que essa modalidade de realidade aumentada foi justamente a primeira a ser integrada aos smartphones, com o lançamento do Wikitude lá no ano de 2008. O app, exclusivo para dispositivos com o sistema operacional da Microsoft, exibia informações sobre os lugares ao redor do usuário – bastava que este ativasse a câmera do celular.

A tendência, portanto, é que projetos como as instalações de arte virtuais do Snapchat, construídos inteiramente a partir da realidade aumentada, se tornem cada vez mais populares.

Nesse sentido, é importante lembrar que uma coisa é construir, a partir da nossa própria realidade, camadas virtuais que possam ser integradas à nossa volta; agora, o simples fato de que a realidade aumentada possibilita a existência simultânea de inúmeras versões de um mesmo mundo é realmente incrível! Você já parou para pensar que isso faz com que duas pessoas entrem em um mesmo cômodo e consigam ver coisas completamente distintas?

Está animado? Este é só o começo!

É verdade que, até agora, o verdadeiro potencial da realidade aumentada ainda era incompatível com as nossas tecnologias – mas isso já está começando a mudar.

O ARKit da Apple (e o ARCore do Google), por exemplo, já estão totalmente equipados para ajudar criadores de conteúdo a construírem experiências cada vez mais inovadoras, capazes de misturar o mundo real e o mundo virtual de uma maneira nunca antes vista.

Não há como negar o papel essencial dos smartphones no processo de popularização das experiências de realidade aumentada; contudo, é impossível não pensar em um futuro bastante próximo, no qual todos usaremos óculos especiais de realidade aumentada.

É claro que o caminho até lá ainda é longo e desconhecido; mas, assim como aconteceu com todas as outras tecnologias inovadoras, é só uma questão de tempo. Afinal, o futuro já bate na porta.


Which method is right for you?Sobre a autora

Gabriela Jungblut é editora-chefe do blog da Shopify em português, gestora de marketing de conteúdo para o mercado brasileiro, tradutora e intérprete de conferências.

Post original em inglês: Braveen Kumar

Tradução e localização: Marcela Lanius

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